INTERVENÇÕES COM GRUPOS E TABAGISMO: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO CONTEXTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO SOBRE AS DIFICULDADES DE ADESÃO AO TRATAMENTO
Resumo
Resumo: O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro adota a terapia cognitivo-comportamental em grupo e a terapia de reposição de nicotina no tratamento da dependência do tabaco. Nesse contexto, pode-se perceber que muitos avanços foram alcançados, porém, muitos desafios ainda persistem. Um dos desafios se refere à não adesão dos integrantes ao tratamento. Sendo assim, esse estudo destina-se a conhecer melhor o problema da não adesão no controle do tabagismo. Essa questão foi percebida após a vivência de um dos estagiários do curso de psicologia acolhido pelos Centros Básicos de Saúde do município de Iapu, local responsável por cuidar desse tipo de demanda da população. Para isso, foi elaborado um questionário referente ao processo grupal no qual o problema se apresenta. Essa ferramenta foi direcionada aos técnicos de referência responsáveis por acompanharem os dependentes de tabaco na saúde pública. Os resultados revelaram que a questão apresentada está relacionada a muitos fatores, a saber: desinformação dos pacientes, dependência de medicamentos para a sequência do tratamento, vulnerabilidade social, barreiras educacionais e associação do tabaco com outras substâncias psicoativas, além de possíveis quadros psicopatológicos. Desse modo, conclui-se que a melhora dessa situação está relacionada à educação da população no que se refere ao tratamento como um todo, à importância da terapia cognitivo-comportamental, à relevância dos medicamentos e como cada pessoa participante pode ser um agente ativo para o próprio tratamento. Além disso, o aperfeiçoamento das táticas de combate que levem em consideração fatores culturais, sociais e comportamentais direcionados a permanência da dependência, que contribuem e colocam em risco o processo de tratamento.
Abstract: The Brazilian Unified Health System adopts the group cognitive-behavioural therapy and nicotine reposition therapy for the treatment of tobacco dependence. In this context, many advances are noticeable, but many challenges persist. One of those challenges is the non-adherence of participants to the treatment. Thus, this study aims to better understand the problem of non-adherence in the control of tobacco addiction. This question became evident after the experience of one of the interns of the Psychology course in Centers Basic Health of the municipality of Iapu, site responsible for taking care of this type of population demand. A questionnaire was elaborated to investigate the group process in which the problem occurs. The tool was directed to the technicians of reference in charge of tracking the tobacco addicts in public health. The results showed that the presented question is associated with many factors, namely: lack of information by the patients, dependence on medication to carry on the treatment, social vulnerability, educational barriers and concomitant use of other psychoactive substances with tobacco, or possible psychopathological cases. Thereby, we conclude that improvement in the observed condition requires education of the population on the whole treatment process, the importance of cognitive-behavioural therapy, the relevance of medication and how each participant can be an agent of his own treatment. In addition, an effort is required to perfect strategies that take into account cultural, social and behavioural factors that contribute to addiction persistence and put the treatment process at risk.
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ArtigoReferências
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