Estado nutricional de gestantes de 24 a 32 semanas e suas possíveis complicações metabólicas.
Resumo
A gestação é um período no qual impõe-se necessidades nutricionais ampliadas. A adequada nutrição é primordial para a saúde da mãe e do bebê, em decorrência dos ajustes fisiológicos, metabólicos e endócrinos na gestante, além das demandas de nutrientes necessários para o crescimento fetal. O objetivo do presente estudo foi analisar o estado nutricional de gestantes no estágio de 24 a 32 semanas, apontando a importância da alimentação equilibrada para evitar possíveis e já existentes complicações metabólicas que podem estar associadas a esse estado. Realizou-se um estudo transversal com 26 gestantes, atendidas na Unidade de Saúde Básica de Ipatinga- Mg, realizados questionário recordatório, corrigidos pela Plataforma Brasil, analisado pelo Teste Qui- Quadrado, teste t de Student, Teste U de Mann-Whitney. O presente estudo comparou características sociodemográficas, clínicas e comportamentais entre gestantes obesas e não obesas, destacando as diferenças no estado nutricional e seus potenciais impactos durante a gestação. As gestantes obesas apresentaram maiores médias de peso antes e durante a gestação, além de IMC (índice de massa corporal) significativamente mais elevado, confirmando a categorização e destacando os desafios nutricionais enfrentados por esse grupo. Apesar disso, o ganho de peso gestacional foi semelhante entre os grupos, sugerindo que a obesidade pré-gestacional pode ser um fator de maior impacto na saúde materna do que o ganho de peso isolado. Em relação aos hábitos alimentares e comportamentais, observou-se que gestantes obesas têm maior frequência de consultas nutricionais, o que pode refletir uma percepção dos profissionais de saúde sobre os riscos associados à obesidade. Conclui-se com este estudo que gestantes obesas apresentam desafios nutricionais mais pronunciados, como maior IMC e maior consumo de doces, apesar de maior frequência em consultas nutricionais. O ganho de peso gestacional foi semelhante entre os grupos, indicando que a obesidade pré-gestacional tem impacto mais relevante na saúde materna do que o ganho de peso isolado. Destaca-se a importância da avaliação do consumo alimentar como ferramenta para identificar situações de risco na alimentação das gestantes, permitindo o estabelecimento do diagnóstico nutricional.
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